Queria ser perfeito. O melhor aluno, o bom filho, o grande amigo, o namorado único. Iria estudar e obedecer e ouvir e amar com um esforço homérico e se dedicando sempre a todos. Escovaria os dentes após as refeições e arrumaria o quarto e trabalharia bastante e leria o máximo. Aprenderia a tocar guitarra e gaita e flauta e triângulo. Filosofar em alemão e apaixonar-se em francês e sentir saudades em português. Viajar por todo o mundo e conhecer pessoas e traçar planos só atingíveis por ele e entrar na faculdade e terminar um curso e completar outros. Virar doutor e casar e ter filhos. Seria visto como exemplo de professor e de pai e de amigo e de marido. Encheu-se de si.
Escrito por Rafael às 14h14
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Vocês foram longe demais, galera!
"Performance e seus desdobramentos" é a atual matéria na pós. Acho que não escrevi isso aqui, mas terminei a faculdade ano passado e comecei uma especialização em história da arte (hello! you're being stalked and it's your fault). Voltando. A matéria traz embasamentos teóricos de Cohen e Goffman (só pra citar alguns) sobre a chamada performance social, da qual nenhum de nós escapa, e que serve como base algumas muitas vezes para os performers pensarem seus trabalhos. A questão da arte, para muitos, é tratar do belo. Para outros, é a experimentação. E para mais alguns, o questionamento. Há ainda quem ache que é uma mistura maior ou menor grau dessas três e quem ache que não é porranenhumadisso. Sei que há um princípio de que para discutir a arte contemporânea precisamos de um mínimo de conhecimento sobre as teorias e questionamentos dos artistas, críticos e teóricos de, pelo menos, os últimos 40 anos e então nos posicionarmos, mas nem sempre isso é possível e eu parto do princípio que a arte deve ser voltada para todos, assim como todos deveriam ser voltados para a arte, e isto não é possível todo o tempo em todos os casos, infelizmente. O único preceito que quero trazer aqui é o praticamente unânime: embora os rebuliços iniciados nos meados do século XIX tenham culminado no urinol apresentado por Duchamp para a exposição dos artistas independentes, é este último, "A fonte" assinado por R. Mutt. de 1917 que escancarou a questão da arte a ser discutida até hoje (e que parece que ainda vai ser por um bom tempo). Passando pelas questões "o que é arte?" e "todos são artistas" dos anos seguintes, chegamos às performances que tiveram início - mais ou menos, uma vez que essa catalogação humana da arte é sempre muito discutível - na década de 1950 e seguem até hoje. É aí que mora o problema. Ao permitir que todos fossem artistas, Duchamp deixou a interpretação de que tudo pode ser arte (que levou a questão de arte por nomeação de Don Judd). Isso deixa para alguns mais preguiçosos que qualquer coisa é arte. Há aí uma grande diferença. De “tudo pode ser” para “tudo é” há horas de pensamento que muitos nomeados artistas parecem esquecer ou deixar para depois. Para nunca. Para tudo! Essa bola de neve conceitual e informacional que temos vivido nos últimos 50 anos - e ainda mais forte nos últimos 10 - levou a uma produção frenética de material artístico. Na performance, me parece haver uma linha tênue entre o que é arte de verdade e um charlatonismo. Pode ser aí que morem as questões a serem trabalhadas hoje em dia. Dos tiros em Burden aos implantes venais de Franco B, há comparações óbvias com Jackass e Gordo Freak Show e novamente voltamos ao “tudo pode ser arte”. Cai-se numa arte fácil, banal, que só pode ser chamada de arte se seus posicionamentos assim permitirem. Meu ver é que fazer toda e qualquer coisa e nomeá-la como arte pode até ser válido, mas a desvaloriza em seu estado. Cria-se então um capitalismo da arte, onde algumas coisas passam a valer mais que outras. Onde a arte de uns é “cotada” e a de outros não tem lastro. Talvez seja apenas uma questão de colocar parâmetros. Talvez seja uma questão de liberar tudo ou de negar classificações às coisas. Talvez seja falta de maturidade de uns ou outros é que levam a sério demais. Talvez seja isso que eu pesquise na minha monografia. Mas me parece cada vez mais claro que de duas coisas, uma: ou Marcel Duchamp em sua genialidade já tinha antevisto tudo o que ia acontecer e que acontece até hoje, o ponto insano em que chegou a arte por sua causa, ou ele não tinha noção nenhuma, era um grande zombador e ficaria chocado ao saber que muitos deixaram grandes questões de lado para discutir por um século algo que ele iniciou, argumentou e encerrou o assunto em sua própria obra. E dessas duas, outras duas: Ele está agora em sua tumba mantendo aquele sorriso debochado da sua Monalisa de cu quente. Ou gostaria de voltar em 1917 e falar “foi mal aê, galera, ‘bora voltar pro classicismo”.
Escrito por Rafael às 11h22
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Paulo me alertou pra uma coisa que não tinha percebido: não me vejo como fotógrafo. Isto é, mesmo aprendendo a fotografar aos 10, já me sustentando exclusivamente com trabalhos fotográficos há uns 3 anos e meio e ter a fotografia como tema da pesquisa da pós, não tinha me caído a ficha disso. Talvez tenha sido por conta da faculdade. Fotografia se mostrou uma profissão durante o curso de "Desenho Industrial", enquanto eu ainda tinha um fiapo de esperança em trabalhar com design e isso se mostrava até plausível de vez em quando. Mas agora acabou. Já não mexo com design há um tempo (e pretendo que continue assim) mas a fotografia se mostrou uma opção de futuro produtivo e satisfatório. Mas também pode ser porque estou muito imerso em tudo isso e esteja "acontecendo de maneira móito rápida e intensa, tudo muito louco, Bial". Como alguém que usa cocaína todo dia e não se diz viciado. Só que eu paro quando quiser.
Escrito por Rafael às 22h49
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Sabe o que significa 'random'?
Sabe quando você sente tudo diferente? Até aquele pessimismo que antes estava em cada parte do fluxo sanguíneo (oh! Trema! quanta falta você faz)? Pois é, eu não sabia. Vamos ver no que vai dar. Mas a impressão é que vem coisa boa por aí. Aliás, tô me sentindo tão diferente que até esse frio aqui na capital do teatro de fantoches feitos em saco de algodão cru já me encheu. E logo no segundo dia! E por falar em encheu. Chega de Air France, né? E de Índia, Gripe, Deputado a 190kph e Ronaldo. Que tudo isso caia em um próximo avião ou se exploda numa bomba do Kim Jong-il, o estranho. Falando em ditadura, queporréessa de 3º mandato pro Lula, o oligodátilo? É sério isso? Tipo Hugo Chavez, o ad eternum? Daqui uns dias vão me dizer que tem pintor de sabão em pó (ou sua cópia/copiador piorada) virando ministro da cultura! Turum-tss!
Escrito por Rafael às 00h41
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Muito me admira a capacidade dos cronistas, aquela presença de espírito, que permite encontrar nos temas bocós assuntos para escrever frases, parágrafos, páginas sobre os mesmos, juntando outros assuntos em uma construção lógica e coerente. Digo dos temas bocós, porque pegar o hype do momento é fácil. É fácil encontrar o óbvio, logo não há o que admirar. Mas achar uma flor que cresce num monte de lixo, isso sim, é de cair o queixo, de apontar o dedo, de virar o olho. A construção lógica e coerente também é necessária. Há muito o que ler nessa vida. Séculos e milênios escritos (ou construídos) sobre mil e uma noites, anjos, demônios, príncipes, reis, médicos, monstros, João e Maria. É preciso ter algo que valha a pena ser escrito. Que valha a pena ser lido. Gastar e passar o tempo. O seu e o dos outros. De quem escreve e de quem lê. Ou não. A escrita pode deixar de ser útil e virar a ferramenta dos 900 segundos de fama. Fácil identificá-lo. O twitter, com seus 140 caracteres per capita, amplia e acelera o anônimo. Ok. O youtube já faz isso e Susan Boyle é a nova queridinha (ou não mais). 200 milhões de views, milhares de comentários, páginas e páginas na internet sobre notícias "novas" da cantora. Mas o youtube ainda não dá à todos os 15 minutos de "fama". Não é para todos muito menos são os reallity shows. Não é fácil entrar num Big Brother ou ter seu vídeo tansformado no sonhos dos publicitários, o "viral". Mas é fácil "entrar" na "fama" com o twitter. Não digo fama no sentido de ser conhecido por todos, mas por quem interessa. Por mais que apareça em um vídeo e torne-se conhecido, não há proximidade com o famoso. Explico. Ruth Lemos e Jeremias, por exemplo, já são conhecidos na internet há pelo menos 4 anos. São então, famosos. Mas será que conseguem/conseguiram aquilo que realmente muitos querem por aí sendo famosos? Tem uma ligação/relação (por mais estranha que seja) com outros famosos? Com o twitter você tem a chance de estar junto ao público. Com as palavras certas e você tem seu microtexto publicado por amigos, amigos de amigos, pelo desconhecido. E pode ser lido por qualquer um. Veja bem, qualquer um. Agora o Rafinha Bastos e o Ashton Kutcher podem realmente saber que você existe. Você pode "segui-los". E aí está a fama do twitter. Antes era a Revista Caras que falava sobre idas ao banheiro, ataques noturnos a geladeira ou os passeios no Leblon da Luana Piovani para todo mundo ler. Agora você coloca no twitter quando vai ao banheiro, ataca a geladeira de madrugada ou quando dá um passeio pelo calçadão da XV, para seus followers lerem. E se der sorte Paris Hilton e Marcelo Tas estão entre eles.
Escrito por Rafael às 15h43
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E mais uma vez um post prometendo voltar a escrever. Mas agora tenho duas desc.., digo, motivos ótimos. O primeiro é que eu sempre coloquei a culpa da falta de atualização (e do meu pessimismo, minha preguiça, falta de tempo, saúde e etc.. ) na faculdade. Pois bem, com a formatura essa semana, ela se encerra. Não que já não tenha encerado em novembro, mas depois disso tinha a própria formatura pra colocar a culpa. E mesmo que agora eu coloque a culpa na pós, não cola mais. Aulas a cada 2 ou 3 semanas? A pós, inclusive, é o segundo motivo pelo qual voltarei a postar. As avaliações são trabalhos escritos. Veja bem, ESCRITOS e não controlvezados. A prática de escrever agora surge como necessidade. Se não por vontade, por obrigação. Preparem-se para chateações. Pedidos via twitter, orkut, comentários em blogs e msn. ***
Em tempo, esse poema de Baudelaire, mostrado pelo professor de Histórica do Corpo durante a aula, também não deixa de ser um motivo pra voltar a escrever. "É preciso estar-se, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos. E se, às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós vos acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: “É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.” ***
Aliás, agora preciso fazer outro layout (pro blog e pro twitter, quem sabe uma coisa que ligue uma à outra) e comentar mais em blogs alheios. Let's go! *** Comentae, pô!
Escrito por Rafael às 17h52
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E mais de um mês depois do último post, vi que não cumpri o básico que tinha prometido a mim mesmo. Mas dai fico sabendo de uma campanha da Blu e resolvi voltar a escrever. Lá, dizia para escrever um blog sobre algo que eu goste. Mas ok, já tenho um blog e o objetivo desse blog era escrever sobre as idéias que pairavam em minha cabeça, então, não farei outro blog, mas tentarei me manter fiel a este (ok, não tenho mais credibilidade pra prometer isso, né?). Pensando em assuntos que gosto, para poder escrever, vi que tem muita coisa. Muita, mas que saia do básico "Tá, e aí?". Então, vai só uma digitada sobre o primeiro assunto que vier randomicamente à cabeça. Neurose. Um amigo acaba de falar sobre neurose, no MSN. Não sobre alguma patologia ou coisa assim. A dele, no caso, é de não deixar coisas inacabadas. Eu, por outro lado, tenho uma tendência a isso. Inacabar é quase uma arte, onde você está no meio de um programa de TV e para. No meio de um desenho e para. No meio de um projeto e para. No meio de A questão é que não se pode escolher a hora de parar. Simplesmente, para. E aí esta a 'arte' da coisa. Onde aquilo poderia acabar? Em vez de uma página em branco, com infinitas possibilidades, você tem diversos caminhos pela metade, é só escolher algum e deixar para alguém continuar. Ou imaginar a continuação. Há quem diga que é desperdício de tempo, largar uma coisa pela metade. Eu prefiro ver pelo outro lado (por mais que eu não seja otimista) e achar que, assim, ganha-se tempo para começar e não acabar outras coisas. É muito mais produtivo. Em vez de fazer uma coisa, você faz duas.Pela metade, mas ainda assim, são duas. O que importa é a intenção, não? Eu falei que era uma neurose não patológica, mas sei que pode ser. Essas manias sempre podem piorar e virar doenças graves, quando você acaba preso a tudo isso, num lance meio TOC, gravíssimo. Tanto pra um lado como pra outro. Você pode desenvolver isso e virar um compulsivo e nunca terminar nada. Ou você pode virar um compulsivo pra corrigir isso e acabar dando sempre um fim a tudo. E daí você tá perdido de qualquer jeito. Novamente, entra aquela filosofia oriental de equilíbrio. Nem muito uma coisa, nem muito outra. Equilíbrio, pra quase tudo, é quase sempre uma solução.
P.S. Eu definitivamente não sei sobre essa nova ortografia e, seguindo o Mestre Pasquale só vou me adaptar à nova ortografia em 2012. Então o blog permanecerá acentuado até lá.
Escrito por Rafael às 17h23
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Sobre o tempo perdido.
Escrever é uma coisa que faz falta. E parece redundante escrever sobre isso, já que quando se faz uma coisa por “hobby”, faz-se com prazer. Mas essa questão improdutiva – que já se manifestando por alguns anos – agora soa como um desafio. Aquele desafio que sempre esteve na minha frente e, eu, nunca percebi. Foi um erro, o meu, de pensar por tanto tempo que ideias viriam como gotas de chuva, aos montes e de uma hora para a outra. Para desenhar, nunca foi assim. Para fotografar, muito menos. Burrice minha pensar que qualquer outra coisa “produtiva” (e aqui com vários significados) deveria surgir assim, instantaneamente, sempre. Tive um professor que dizia que o design não era uma profissão, mas sim, uma maneira de pensar. Nunca concordei muito com isso, mas hoje me parece bem claro. Essa abordagem do design se apresenta a mim como uma maneira de pensar na qual você procura olhar toda área que envolve seu “problema” (e aqui pode ser o seu desenho, o seu texto, a sua fotografia, a sua escultura e etc.), estuda as possibilidades, os elementos que influenciam o que você pretende fazer (ou resolver) e trabalha em cima. Trabalha muito, muda aqui e ali, mexe nisso e/ou naquilo. Pensa, desfaz, refaz, transforma, corrige, acrescenta e nada nunca está terminado. O texto não está pronto. O desenho não está pronto. O mundo não está pronto. A vida nunca está. Nunca estará. E é o desafio que se impôs a todo o tempo na minha frente e eu nunca percebi. Agora é tentar escrever mais, pensar mais, ler mais, construir mais.
Escrito por Rafael às 11h51
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